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Relatório indica que crise do petróleo não afeta preço do Bitcoin

O Bitcoin se destacou recentemente, mostrando uma independência interessante em relação às oscilações do preço do petróleo. Um relatório da Binance Research analisou dados dos últimos dez anos e chegou à conclusão de que, mesmo em meio a crises globais, a criptomoeda tem se mostrado resiliente. Embora choques no preço do petróleo possam aumentar temporariamente a volatilidade do Bitcoin, isso não afeta sua tendência a longo prazo.

Durante a tensão no Estreito de Ormuz, entre fevereiro e março de 2026, o Bitcoin subiu 15%. Esse desempenho foi superior ao da Nasdaq, que teve uma leve alta de 1%, e do ouro, que perdeu 3%. Enquanto isso, o petróleo viu um aumento significativo de 46% nesse mesmo período.

O principal motor dessa valorização foi a movimentação de investidores institucionais, que injetaram US$ 1,7 bilhão em ETFs de Bitcoin entre os dias 2 e 17 de março. Além disso, o mercado à vista manteve uma demanda forte, e empresas como a Strategy e a Bitmine aumentaram suas reservas de criptomoedas semanalmente, totalizando cerca de US$ 8,3 bilhões.

“O capital institucional enxergou a queda causada pelo choque do petróleo como uma oportunidade de compra”, aponta o estudo.

Desempenho do Bitcoin antes da crise no Estreito de Ormuz

Antes da crise, o Bitcoin já estava em uma fase corretiva. Em janeiro de 2026, a moeda alcançou seu pico de cerca de US$ 90.000, mas caiu para aproximadamente US$ 65.000 em fevereiro. Essa queda aconteceu enquanto o preço do petróleo permanecia estável, permitindo discernir claramente os efeitos do petróleo das dinâmicas próprias do Bitcoin.

Quando surgiram boatos sobre guerra no dia 27 de fevereiro, o Bitcoin teve uma leve queda e atingiu um mínimo de US$ 63.047 no dia seguinte. Contudo, de 9 a 18 de março, a criptomoeda se recuperou, subindo de US$ 66.000 para US$ 75.000, mesmo com o petróleo em alta.

De acordo com o relatório, “eventos geopolíticos relacionados ao petróleo têm mais chance de criar oportunidades para alocação de recursos do que eventos de risco na atual estrutura de mercado, que está cada vez mais institucionalizada”. O Bitcoin, portanto, apresentou um bom desempenho durante a crise, mas seus ganhos de 15% não se encaixam na ideia de um “porto seguro”, já que o ouro se comportou de forma oposta e a Nasdaq permaneceu praticamente estável.

Cenários de risco

O relatório da Binance Research também revela que a dinâmica do mercado pode mudar e, consequentemente, impactar a resposta do Bitcoin diante de mudanças no preço do petróleo. Vamos explorar alguns possíveis cenários:

Cenário 1: Resposta agressiva da política monetária

Se os bancos centrais, principalmente o Federal Reserve dos EUA, decidirem aumentar as taxas de juros ou implementarem um aperto quantitativo devido a preços altos do petróleo, isso poderia criar um clima de aversão ao risco. Assim, a demanda pelo Bitcoin poderia sofrer.

Cenário 2: Eventos de crédito no setor de criptomoedas

Os colapsos que ocorreram no ecossistema cripto em 2022 mostraram que o Bitcoin pode ser suscetível a liquidações internas. Uma grande venda forçada por um detentor institucional poderia desencadear um efeito dominó entre os ativos.

Cenário 3: Crise global de liquidez devido a preços elevados do petróleo

É possível que enfrentemos uma crise de liquidez como a de 2008, especialmente se os preços do petróleo ultrapassarem os US$ 150 por barril. Atualmente, algumas instituições acreditam que isso pode acontecer, principalmente se o Estreito de Ormuz ficar bloqueado por mais de seis meses. Nesse caso, o Bitcoin poderia ser afetado, assim como outros ativos.

Cenário 4: Interrupção prolongada no Estreito de Ormuz

Embora as restrições atuais sejam temporárias, se a situação se prolongar por mais de três a seis meses, isso pode causar um aumento significativo nos preços da energia, afetando a inflação e potencialmente levando a uma recessão. O Bitcoin não estaria imune a isso, mas a queda seria mais resultado de uma aversão ao risco geral, em vez de um impacto direto do petróleo.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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